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Eu venho de uma família triste. meus pais não são as melhores pessoas do planeta. mesmo. não que eles matem pessoas. mas eles me matam por dentro. muito dos motivos que me levaram a compulsão alimentar foi a depressão que apesar de eu ter falado que foi causado apenas pela morte de vários familiares. é uma verdade incompleta. até a a minha maioridade eles eram normais. mais ou menos. com 8 anos eu adorava escrever cartinhas e colocar embaixo dos travesseiros deles. e ficava esperando uma cartinha ou um abraço. eles não faziam nada. e quando eu ficava triste por isso, chorava, perguntava, porque eles não faziam nada. eles diziam que eu estava errada em ficar triste. que eu era muito carente. eu tinha 8 anos. 

O meu irmão 8 anos mais velho sempre foi o preferido, o que passou engenharia em faculdade publica, eu a burra que fui pra faculdade particular. nos aniversários a regra era que o aniversariante escolhesse o  restaurante. no do meu pai isso ocorria, no da minha mãe, no do meu irmão, no meu eu dizia, eles negavam e escolhiam outro. 

Minha mãe me forcou fazer direito porque meu pai é advogado,então fazia sentido. eu tinha 17 anos, eles iam pagar( faziam questão de grifar o gasto que eu estava fazendo). o que eu ia fazer? nem maior de idade eu era. mas quando eu virei maior de idade que a coisa ficou pior.

Quando as mortes familiares começaram a acontecer em 2010, minha mãe que já não era o carinho pessoa,ficou ainda mais neurótica, e me culpava por tudo que acontecesse. mesmo. se eu lavasse um copo e ela achasse que não tinha lavado o suficiente, ela berrava comigo, batia com vassoura. numa dessas brigas meu pai quebrou meu braço. 

Eu só sai desse INFERNO quando me casei. meu marido que passou por tudo isso comigo( afinal estamos juntos ha 9 anos) me salvou. literalmente. ele não foi só um marido. ele foi um anjo da guarda. mas mesmo quase 2 anos fora de casa, quase 2 anos casada legalmente no civil. eles ainda me perseguem.

quando eu sai de casa fizeram uma ceninha de perdão eu meio que  aceitei e de vez em quando via eles. afinal ainda são meus pais. mas hoje, hoje foi a gota da água. eu liguei pra minha preocupada com a colonoscopia que vou fazer quinta, afinal é um exame – procedimento cirúrgico. tem anestesia. minha mãe me disse” que só coisa ruim ia vir de eu fazer esse exame” e desligou na minha cara. eu liguei pro meu pai pra entender. ele falou pra eu não ligar mais pra minha mãe que ela não quer mais saber de mim (SEM EU TER FEITO NADA) e disse que se eu morresse no exame nem precisava ligar, era um problema do meu marido.

eu escrevo esse texto chorando. você não precisa ter os pais mortos, pra ser órfã. é o que eu sou hoje. mas eu posso chorar. pode machucar. mas eu não vou desistir. eu não vou dar esse gosto pra eles. eu vou seguir em frente. eu vou ter meus 4 filhos com meu marido. e vou ter uma família feliz que ninguém machuca ninguém. EU SOU UMA SOBREVIVENTE. E VOU CONTINUAR SOBREVIVENDO.

Raquel Link

Agora que está fora de minha vida – Estou muito melhor  – Você pensou que eu estaria fraca sem você – Mas estou mais forte – Você pensou que eu estaria falida sem você – Mas estou mais rica – Você pensou que eu estaria triste sem você – Eu rio com mais vontade – Você pensou que não cresceria sem você – Agora estou mais sábia – Você pensou que eu estaria paralisada sem você – Mas estou mais esperta

Você pensou que não poderia enxergar sem você – Perfeita visão – Você pensou que não poderia perseverar sem você – Mas eu persevero – Você pensou que eu poderia morrer sem você – Mas estou vivendo – Você pensou que eu poderia falhar sem você – Mas estou no ápice – Pensou que eu poderia ter me acabado por agora – Mas isto não pára- PENSOU QUE EU PODERIA ME AUTO- DESTRUIR – MAS EU AINDA ESTOU AQUI – MESMO NOS ANOS QUE VIRÃO – EU AINDA ESTAREI AQUI

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